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Colheita
Acrílca sobre tela
1,0 x 1,50 m

vendido 
 
(detalhe)

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.


Porque tão longe ir pôr o que está perto _
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.


Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
E, que vivemos, morreremos. Colhe
o dia, porque és ele.


Fernando Pessoa
(Odes de Ricardo Reis)
Convite
       O trabalho da artista Gisele Moura traduz o que o poeta Manoel de Barros definiu como “infância da Língua”. Pode-se compreender esta “infância” como a extrema liberdade de ver o mundo e recriá-lo. Sua liberdade compositiva e plástica expressa as coisas inominadas, propiciando uma leitura aberta.
       Flores que nos desassociam da palavra e do sentido flor.
       Espaço que se isenta de seu léxico.
       Cores que se transfiguram em tempo e memória.
       Imagens livres de gramáticas. Basta abrir a forma e se inserir dentro dela.
       A liberdade é o cerne de seu trabalho, e sua leitura em espiral doa novo sentido ao sol, à flor, ao universo, como se fosse infância da pintura. Pintura que não é imagem, pintura que é também palavra, som e poesia.   

Angélica Oliveira (artista plástica, estilista e professora da área de design da UEMG e da FUMEC)

*Baseado em Manoel de Barros – livro Poemas Rupestres, 2004.

            A artista plástica Gisele Moura apresenta sua nova exposição, Florescências. Fica evidente a influência da arte oriental, que traduz seu  desejo de uma total integração.
            Ela não se afasta, no entanto, da cultura popular brasileira, mais evidente em sua obra anterior. Suas telas de cores vibrantes nos remetem às chitas coloridas das bandeiras decoradas de festas do norte das Minas Gerais e nordeste do país. Podemos sentir o ressoar dos pandeiros a ecoar em nossos corações. É como unir mantras e modinhas, juntos numa mesma inspiração.
            Há coerência e sensibilidade em sua arte. Percebe-se um elemento recorrente: a espiral – fonte e caminho para o infinito. Ao apreciar sua obra, o espectador é surpreendido não só pela técnica bem elaborada e pelo requinte de detalhes. O que ela nos transmite é muito mais: harmonia e a paz. 

Vera Pinheiro (arte-educadora)